3 de julho de 2013

Quando o herói vira o inimigo público nº 1


O governo dos Estados Unidos espiona a tudo e a todos, sem o conhecimento da população. Reino Unido espiona seus até aliados em reunião do G20 em Londres. Tudo fica por isso mesmo. E o grande inimigo da humanidade é o pobre sujeito que permitiu às pessoas tomarem conhecimento de todo esse abuso de poder.
Definitivamente, a ética é um conceito cada vez mais difuso para os governos do mundo inteiro...

30 de junho de 2013

Políticas de inclusão social e o Facebook

Os grandes beneficiários das políticas de inclusão social no Brasil não têm Facebook. Sua voz raramente é ouvida nas redes sociais, pois são pessoas que dificilmente têm acesso à internet, muito menos tablets e smartphones. Até porque eles em geral estão fora das chamadas "redes sociais" virtuais, pelas quais as manifestações são convocadas, não os vejo também como protagonistas de todo esse surpreendente movimento cívico que agita pequenas e grandes cidades. As pautas das manifestações são, em geral, justas: combate à corrupção, menos privilégios para os políticos, mais investimentos em educação e em saúde, etc. O atendimento a essa pauta de reivindicações, se acontecer, deve trazer benefício para o conjunto da população brasileira. 
Porém, curiosamente, todo esse movimento se segue a uma onda de condenações, especialmente no Facebook, à política de inclusão social que tem sido adotada no Brasil nos últimos 15 anos. Essa política começou de forma tímida no Governo FHC e ganhou força nos governos Lula e Dilma. O PT errou muito nos últimos anos. Fez alianças espúrias a fim de ter maioria no Congresso, assistiu passivo ao episódio do mensalão e negligenciou a educação. Apesar de tudo isso, as políticas de inclusão social têm feito o País reverter uma tendência de séculos: diminuir a histórica e cristalizada desigualdade social. São avassaladoras as evidências de que milhões de brasileiros deixaram nos últimos anos de serem miseráveis para serem apenas pobres. Isso é pouco para quem está na classe média, mas pode ser a diferença entre a vida e a morte para muitos brasileiros. O Brasil é o único país dos BRICs em que a desigualdade social está diminuindo. Na China, na Rússia, na Índia, há até mais crescimento econômico, mas os ricos ficam cada vez mais ricos; os pobres ficam cada vez mais pobres. É óbvio que ainda há muito a fazer, mas deveríamos comemorar essa conquista, materializada na redução da mortalidade infantil e no aumento da longevidade, especialmente no Nordeste. É óbvio que o ideal é que as pessoas não dependam tanto de programas de complementação de renda, que consigam se sustentar por conta própria, mas tentar garantir esse ideal agora à força, abandonando as políticas de inclusão social, seria fazer com que milhões de brasileiros voltassem à miséria. 
O que mais me preocupa é ver que a diminuição da desigualdade social, que deveria ser o grande tema nacional, não apenas está ausente das manifestações, como parece estar fora do desejo da maioria das pessoas que se expressam pelas redes sociais. Mais do que isso, tudo indica que uma grande parcela dos manifestantes vai escolher políticos que interrompam ou diminuam esse tipo de investimento social. E podem me apedrejar se quiserem, mas, na minha leitura, a desigualdade social está fora da pauta, pois ela não atende diretamente aos interesses da nossa grande classe média. As políticas de inclusão social são uma pauta altruísta demais num país acostumado com as desigualdades. 
Resta-me, por fim, fazer um apelo aos meus amigos de Facebook: já que provavelmente haverá uma grande renovação política no próximo ano, só lhes peço que, independentemente de partido político, escolham governantes e legisladores que não acabem e, ao contrário, ampliem as ações governamentais voltadas para a diminuição da desigualdade social. Não permitam que o grande legado de todas essas fantásticas manifestações seja fazer o Brasil voltar a ser o que sempre foi: um país em que os ricos ficam cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres. Façam os governantes ouvirem suas vozes, mas façam também com que suas vozes não sejam apenas suas e solidariamente representem também aqueles que nem sabem o que é Facebook!

Reflexos das manifestações sobre o resultado das eleições presidenciais de 2014

Acostumado a fazer previsões meteorológicas, ensaio aqui uma sucinta, despretensiosa e desapaixonada previsão política, tentando responder à pergunta sobre quem tem mais chance de vencer as eleições de 2014 a partir das manifestações que varrem o Brasil. 
As chances de Dilma ou de Lula diminuem a cada dia: nas redes sociais, o PT, Dilma e Lula são vistos como a causa de todos os males do País. Marina está bem cotada agora, mas o fato de ser evangélica deve lhe trazer sérios problemas na hora da campanha eleitoral. O PSDB e Aécio estão sendo poupados das críticas e, ao que tudo indica, se não surgir um novo candidato de um partido desconhecido (algum novo Collor?), têm as maiores chances de chegar ao poder. Bem, no caso do PSDB, seria um retorno ao Palácio do Planalto.
Obviamente que posso estar errado, mas, na minha leitura, tudo se encaminha para a volta do PSDB ao poder. Digo isso com frieza igual à de um meteorologista que lê os modelos numéricos e conclui que vai chover, independentemente de ser esta ou não a sua vontade. Será assim, ou eu não estou conseguindo ver algo que vocês estão enxergando?

14 de junho de 2013

Bem além de 20 centavos

Nesta semana, tenho tido dificuldade de acompanhar o noticiário. Então, minhas informações sobre o que tem acontecido em São Paulo e também em Porto Alegre são muito fragmentadas. Há muitas versões, e pouco fato no que eu tenho lido - e, sinceramente, não é nos jornais que eu vou alcançar uma real compreensão dos fatos - pelo contrário... De qualquer maneira, entendo que é um grande erro minimizar essas manifestações, como o faz a grande imprensa. Esses movimentos estão desenvolvendo uma agenda que vai bem além dos "20 centavos". Há algo de novo no ar, e os políticos e a imprensa não estão conseguindo interpretar corretamente. Eu só deploro a violência. Já tenho experiência suficiente para não me iludir e pensar que as manifestações são inerentemente pacíficas e que toda a violência decorre da repressão. No meio de um grupo tão heterogêneo assim, é quase inevitável que haja alguns que admirem a violência, a destruição - e não é nada fácil controlá-los. O mundo não se divide entre mocinhos e bandidos. Todos têm suas sombras! Mas eu creio que a violência não é inevitável. Participei de manifestações pelo impeachment de Collor, e naquela ocasião se conseguiu afastar do poder um presidente corrupto sem derramamento de sangue e sem depredação. A gente envelhece e não consegue se livrar de algumas utopias: a minha é a da mobilização popular que consegue transformações sem violência. Eu não aceito a covarde violência do Estado, mas também não aceito a anônima violência dos manifestantes. Tirando a violência de lado, e honrando a memória de minha mãe, lutadora pelas causas sociais, saúdo o retorno da indignação coletiva que se organiza em movimento social!

24 de maio de 2013

A mais nova moda no Facebook

É com tristeza que vejo a nova moda do Facebook, que é falar mal dos programas sociais do governo.
Não há dúvida de que há casos de fraudes, há exemplos de pessoas que usam mal o recurso que recebem.
Mas é estranho quando a exceção vira mais importante que a regra.
Ou quando se acredita que a exceção é a regra.
Não pega bem mostrar uma mãe pobre que usa dinheiro do bolsa família para comprar comida.
É muito mais divertido - é cool! - exibir vídeo de uma mãe pobre dizendo que o dinheiro do bolsa família não lhe permite comprar uma calça jeans de 300 reais para a filha.
Pronto! É só ver um vídeo assim, e já se imagina ter o argumento fundamental contra as políticas sociais.
É só ver um vídeo assim para se ter todas as provas de que bolsa-família e coisas do gênero não funcionam.
É uma posição política legítima, mas, a meu ver, equivocada.
Quem pensa assim talvez não se dê conta, mas está em sintonia com a plataforma política dos republicanos dos Estados Unidos e dos conservadores no Reino Unido.
Não há nada de errado em ser politicamente conservador; não há nada de errado em ser de direita.
O único problema é quando a pessoa tem uma ideologia de direita, mas não admite ser de direita.
Este governo tem muitos defeitos. O pior deles é que faz muito pouco para superar o grande atraso do Brasil em relação à qualidade da educação.
Este governo faz alianças espúrias, sendo conivente com muitas formas de corrupção.
Mas, desde que começaram os programas sociais, ainda no governo FHC, o Brasil conseguiu uma significativa diminuição da desigualdade social.
Se duvidam do IBGE ou da FGV, então leiam relatórios do Banco Mundial, da OCDE.
Na última década, o Brasil foi o único dos BRICS que conseguiu crescimento econômico com diminuição de desigualdade social.
Na Rússia, na China, na Índia, os ricos estão cada vez mais ricos, e os pobres, cada vez mais pobres. O mesmo acontece nos Estados Unidos.
Aqui não. Depois de décadas de progressiva desigualdade social, o Brasil finalmente começa a pagar sua histórica dívida social.
Grande parte dessa conquista vem do aumento da renda das parcelas mais pobres da população, do aumento do potencial de compra de nosso mercado interno.
A ascensão social vem majoritariamente de renda obtida com o trabalho. Mas é inegável a importância de programas sociais, que muitas vezes fazem a diferença entre a miséria e a pobreza.
Fora do Brasil, a surpreendente diminuição da desigualdade social merece reconhecimento, com matérias de capa nos principais jornais e revistas.
Aqui, porém, nós, que pertencemos à elite do País, viramos as costas para este fato.
Sem nos darmos conta, fazemos com que apareça aqui no Facebook o histórico desprezo dos ricos em relação aos pobres. Não é um desprezo explícito, mas ele está aí, para quem observar com atenção não só aquilo que dizemos, mas especialmente aquilo sobre o qual nos calamos.
Nada mais típico num país que conviveu tanto tempo com a escravidão sem se incomodar com isso.
Quem sabe, um dia, talvez daqui alguns séculos, a moda seja ser solidário com os mais pobres e, ainda mais do que isso, sentir compaixão por eles, o que implica nunca transformá-los em piada.
Desculpem-me por estar tão fora de moda...

12 de maio de 2013

Remando contra a correnteza


Seu eu posso te dar um conselho
Que é sempre mais fácil dizer do que seguir
Evita ter muitas certezas
Pode ser que precisemos de algumas
Mas só umas poucas, que caibam nos bolsos.
Um mundo cheio de certezas é um pátio fechado
Uma vida plena de convicções é uma história acabada.
Cuida de tuas dúvidas como quem cuida de plantas frágeis
Deixa que as pequenas incertezas cresçam
E se transformem em grandes enigmas
Que consumam todo o tempo, toda a vida
Radiantes enigmas, livres das sombras das soluções definitivas.

8 de fevereiro de 2011

Vulcão Osorno, Chile

O vulcão Osorno está inativo há mais de 140 anos, mas, a qualquer momento, pode voltar a fumegar e despejar lava em direção ao Lago Llanquihue, como já fez por diversas vezes em sua história. Osorno é um vulcão com altitude de 2.652 metros, tem geleiras permanentes, apesar de situar-se no paralelo 41, em função do frio e úmido clima do sul do Chile. No final de janeiro, tivemos a sorte de subir o vulcão, uma parte de carro e outra de teleférico, chegando a uns 1.700 metros de altura. Abaixo, fotos, de diversos ângulos e distâncias, que mostram a beleza desse monumento da natureza.
Osorno visto desde Puerto Varas
Vulcão Osorno visto desde o Lago Todos los Santos (1)
Vulcão Osorno visto desde o Lago Todos los Santos (2)
Vulcão Osorno visto desde o Lago Todos los Santos (3)
Saltos de Petrohue, perto do Osorno (1)
Osorno visto desde Petrohue
Saltos de Petrohue, perto do Osorno (2)
Após uma curva, eis que aparece o vulcão Calbuco
Em cima do Osorno, a 1.200 metros de altitude
As geleiras do cume do Osorno
Subindo o Osorno, visualiza-se uma cratera secundária

Pessoas brincando nas geleiras do Osorno
Na volta do Osorno, uma raposa selvagem, em Ensenada

6 de fevereiro de 2011

Ilha de Chiloé, Chile

Muitos anos atrás, li uma reportagem sobre a Ilha da Chiloé na revista National Geographic. Naquela ocasião, fui procurar no mapa e vi que ela ficava perdida num cantinho do mundo. A ilha é até bem grande, a segunda maior do Chile, com quase 200 quilômetros de norte a sul. Mas é uma região isolada, onde chove em dois terços dos dias, faz frio mesmo no verão, e o sol é um raro e comemorado presente dos céus. Apesar do clima hostil, nunca me esqueci das fotos de suas igrejas de madeira, de suas praias com paisagens estranhas formações rochosas, de seus campos e lagos. No dia 31 de janeiro, umas duas décadas depois de ter lido aquela reportagem, passei um dia no norte da ilha, conhecendo a cidade de Ancud e também os "Islotes de Piñuhil", que abrigam pinguins. Abaixo, algumas das fotos que registram esse dia inesquecível numa região que parece tão distante no tempo e no espaço...

19 de novembro de 2010

Dica de leitura: Escrita, leitura e i(nc)lusão digital, de Dino del Pino

Duas capas, dois livros em um
Conheci a obra do escritor Dino del Pino há uns 25 anos, quando era estudante de Letras e trabalhava em Porto Alegre. Seis dias por semana eu rumava para meu trabalho na antiga Caldas Júnior e, dentro dos então modernos trens, lia de tudo: comédias de Plauto, tragédias de Ésquilo, obras de Cícero e Sêneca, livros de psicologia da educação ou sobre teoria literária... Foi uma época em que eu construí a estrutura de meus conhecimentos sobre linguística, literatura e educação. Entre essas obras, lá estavam livros de Dino del Pino sobre teoria da literatura. Depois conheci seus livros didáticos voltados para o Ensino Médio, anos luz à frente de tudo o que havia àquela época. Suas obras não menosprezam a inteligência do leitor, resultam de profundos mergulhos reflexivos, mesmo quando, didaticamente, tratam da literatura para o público adolescente.

Agora, um quarto de século depois, descubro que Dino del Pino lançou novo livro, com direito a sessão de autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre. Bem, um livro...ou dois? A obra, de fato, escapa às tentações classificatórias, parecendo se originar sob o signo de Gêmeos: tem duas capas e dois propósitos, que às vezes se intercalam, às vezes se mesclam. Em cada capítulo, del Pino dedica um espaço para compartilhar com os leitores seus conhecimentos profissionais sobre como tirar o máximo proveito de processadores de texto, como o Word, de forma a organizar leituras, pesquisas e produções escritas. Essa é a face da obra que cumpre papel de "autoajuda análogo-digital". Mas, lembrem, ler esses trechos que se aproximam do manual, neste caso, leva o leitor a uma jornada muito mais longa do que um manual tradicionalmente nos leva: a experiência é similar à de ler o relatório da prefeitura de Palmeira dos Índios escrito por Graciliano Ramos quando este era prefeito da pequena cidade alagoana. Um relatório ou manual redigidos por um escritor põem em cheque os paradigmas dos gêneros textuais.

Para além desse transcendente manual, encontra-se outro livro dentro do livro: uma rica reflexão sobre a (falsa?) dicotomia digital x analógico. Seguindo a tradição de Sócrates, o autor interage com personagens, construindo diálogos plenos de ironia e sutis provocações, que muitas vezes começam com conceitos teóricos para então interpretarem fatos e ideias contemporâneos. O século XXI, o ano de 2010 estão vivos dentro da obra, observados pelo olhar crítico do autor e de seus insólitos interlocutores.

Há, realmente, dois livros dentro de uma só obra. Dependendo dos interesses do leitor, pode-se romper com a linearidade da leitura buscando unir sequências que, juntas, acabam por se constituir num manual de ajuda para quem precisa organizar suas leituras e produções textuais digitais. De forma alternativa ou complementar, a não linearidade da leitura pode levar o desavisado leitor a descobrir outra obra, que, em vez de prescrever, semeia a dúvida, mina certezas, a exemplo do que se fazia nos primórdios do pensamento filosófico. Volta-se ao passado, na forma e no conteúdo, para, talvez, descobrir que o digital não é algo tão novo como se costuma pensar.

Escrita, leitura e i(nc)lusão digital é uma publicação da editora AGE.

3 de outubro de 2010

Como o Brasil está sendo vista lá de fora

Reproduzo aqui matéria do jornal inglês The Observer deste domingo analisando o final do segundo mandato do presidente Lula e as eleições de hoje.

Lula's Brazil: glitzy, rich, dynamic

Tom Phillips

The Observer, Sunday 3 October 2010

As President Lula prepares to leave office with an approval rating of 81%, he leaves a nation looking to the future with hope and a new confidence

Night was falling on Rio's Ipanema beach. Inside the Londra bar at the upmarket Fasano hotel, waiters were making the final adjustments before throwing open the frosted-glass door to the city's most exclusive nightspot.

The bar staff weaved between Sex Pistols-inspired Philippe Starck armchairs shipped in from France. Behind an immaculate bar, stocked with glowing bottles of 12-year-old Glenlivet whisky and buckets of Veuve Clicquot, the cocktail chief showed off his latest creation – a Martini bloody mary topped with scarlet foam.

"This is a 'sceney' place: a place to see and be seen," said Paula Bezerra de Mello, head of PR at what is generally thought to be Rio's most sophisticated hotel. It was, she said, part of the "new luxury" of the Lula era.

As a former trade unionist, Brazil's hugely popular president, Luiz Inácio Lula da Silva, is best known for helping his country's poor during an eight-year reign that is entering its final moments. According to the government, more than 20 million Brazilians have been hauled out of poverty since Lula came to power. But the rich have not done badly either.

Night after night Londra – "London" – is packed with foreign celebrities and the great and good of Rio's high society, who come together to savour some of the most expensive cocktails in town. They dance until gone 3am and enjoy the charms of a place that many see as a key symbol of the "new Brazil": a dynamic nation of talented designers, successful international jet-setters and, of course, beautiful people.

With the economy once again on the move and the Olympics and World Cup on the way, there is a certain something in the Rio air right now; a swagger that can be felt not only in Ipanema's luxurious nightspots, but also in the city's impoverished slums – favelas – and remote Amazonian towns where shopping malls and cinemas are sprouting from the ground with growing pace.

"There is a greater excitement, an optimism," said Rogério Fasano, Brazil's most revered hotelier and restaurateur, who studied film-making in London and conceived Londra as an Italian-tinged homage to his former home. "I feel that people are seeing Brazil in a different way – not just in terms of tourism, but in terms of business," he said.

Many, though not all, attribute this upbeat mood and palpable self-confidence to one man: Lula. According to a poll released on Wednesday, Lula will leave office after two terms with an approval rating of an astronomical 81%.

Today the curtains will begin to go down on the "era Lula". Unless the presidential race is forced into a second round, Brazilians will discover who will pick up where Lula left off.

If polls are to be believed, Lula's successor will be Dilma Rousseff, a former student rebel who rose to be Lula's chief of staff after spending three years in jail under the former military dictatorship. She has a reputation as a respected enforcer entrusted to lead the soon-to-be-ex-president's gigantic economic growth programme, pumping billions into social programmes and infrastructure works.

The new president officially takes over on 1 January, 2011. But between now and then historians will pore over one central question: how did Brazil's first working-class leader achieve such a startlingly vibrant legacy?

For his Workers' party activists and other Lula allies, the answer remains simple. "I am 68 years old and I can tell you that Lula was a president who changed the history of Brazil for the poor and humble," said Benedita da Silva, a Rio politician who was the first African-Brazilian woman elected to the country's Senate. She briefly served as Lula's social development minister before being caught up in a bribery scandal.

Few understand the transformations that Brazil has undergone under Lula better than one of the president's namesakes, a woman who was raised in Chapeu-Mangueira, a Copacabana favela around 10 minutes' drive from Londra, and who has witnessed up close the changes in Brazil's most deprived corners.

"[As a child] I didn't have water. I didn't have electricity. I didn't have a comfortable brick home. Today, these projects are arriving in the communities," she said on Thursday during a campaigning event in Nova Iguaçu, an impoverished town in the rundown suburbs of Rio de Janeiro.

"I know what it means to go hungry. I know what it means to live below the poverty line; to not have water, or electricity, or a school for your child; to not be able to get a job because you have no education or because you live in the favela and no one will give you a job because they are scared."

It was early afternoon and the veteran Workers' party politician – who claims to be a particular fan of President Lula's homemade soup – was busy hunting for votes in a bid to be elected to the Brazilian Congress.

"We haven't come here to speak badly about [other politicians]. We have come to show the work that Lula has done," she told the largely supportive crowds through a crackly PA system.

"People may not like it, but it is the truth. In the history of our country, Lula has been a great president."

Around her the Workers' party activists brandished red-and-white flags that were emblazoned with the slogan: "She's like Lula – she has the soul of the people."

Valdinei Medina, a 29-year-old community leader in the slum where Benedita da Silva was born, was nine when Lula appeared at Chapeu Mangueira shantytown high above Copacabana beach. "He stood right over there under the jackfruit tree," he beamed. "I have a photo of it in the association."

The year was 1989 and Lula, a former shoeshine boy and fiery union leader, had come to this hillside favela as he made his first bid to become Brazilian president.

"People thought: 'Wow! A presidential candidate has come to the slum!'" remembered Medina, a keen Lula supporter. "Back then the slum was complicated. It was something rare. It went down [in our] history."

Lula lost that year and was not elected president until 2002. But millions of impoverished Brazilians, among them many of Chapeu Mangueira's 3,000-odd residents, are certain it was worth the wait.

"It's like Obama said, 'He's the man'," said Medina, just before the start of Brazil's final presidential debate. "Economically things have changed a lot. Before people didn't have phones at home or mobile phones, cars and motorbikes. Today in any favela you go to, the poor man can get these things, can get loans and this is down to Lula, without doubt.

"When Lula took over it was as if the country was coming out of a war. And today things have stabilised. We are no longer known as the country of football and beautiful women. We are known as country that is economically strong."

Lula's support is not universal. Many believe Lula's success, and the country's growing prosperity, owes more to the commodities boom than to any personal merit and warn that a growing government deficit threatens to cause a major headache in coming years. Others attribute Brazil's recent boom to Lula's predecessor, Fernando Henrique Cardoso, who helped stabilise the country's erratic economy in the early 1990s and, perhaps understandably, feels somewhat aggrieved at the lack of recognition.

"I did the reforms. Lula surfed the wave," Cardoso told the Financial Times recently.

But no one can argue with those popularity figures. Back in Londra, Mello was celebrating her country's new financial and cultural renaissance – it is one of the BRIC nations, Brazil, Russia, India and China, which are in the forefront of new economic development – and pondering the outcome of the election: "Right now, Lula could elect this [sachet of] sugar if he wanted," she said, reaching out for the sugar bowl. "That is how much charisma and power he has.

"Everybody referred to Brazil as a sleeping giant, and I think what people are realising now is that we are awake," she explained in immaculate American English. "[Being labelled a] BRIC was a significant positioning … [for people] to realise that there were these four incredibly powerful potential markets. We've always had 'it', and of course the Olympics and the World Cup reiterated that fact," she said. "Now it is official."

guardian.co.uk © Guardian News and Media Limited 2010


13 de fevereiro de 2010

Ushuaia: um olhar sobre o fim do mundo (2)

Árvores moldadas pelo vento junto ao Canal de Beagle
Ushuaia tem uma beleza selvagem, pouco adaptada e adaptável ao homem. Faz frio o ano inteiro, mesmo no verão. Não raramente neva em janeiro ou fevereiro. O vento sopra frequentemente com grande intensidade, moldando a forma das árvores. Saindo da cidade, quase não se veem pessoas. São imensidões de paisagens fantásticas, onde a presença humana é a exceção. A seguir, dando sequência à postagem anterior, imagens dos arredores de Ushuaia.

Paisagem próxima ao Parque Nacional da Terra do Fogo, a oeste de Ushuaia. A montanha com gelo tem perto de 1200 metros de altura.


Vista do Lago Roca, dentro do Parque Nacional da Terra do Fogo. A fronteira com o Chile fica a menos de um quilômetro de onde foi tirada esta foto. O lago está a uns 12 metros acima do nível do mar, e a montanha com gelo, no lado chileno, tem mais de 900 metros.


No Canal de Beagle, a uns 15 quilômetros do porto de Ushuaia, há uma ilha como leões marinhos.


Navegando pelo Canal de Beagle, de repente visualiza-se uma pequena cidade: é Puerto Williams, na Ilha Navarino, que pertence ao Chile. Puerto Williams fica a cerca de 42 km a leste-sudeste de Ushuaia. Alguns dos picos ao sul da cidade chegam a 900 metros.


A cerca de 55 km a leste de Ushuaia, uma "pinguinera" - uma ilha repleta de pinguins, absolutamente despreocupados com os barcos, os turistas e suas máquinas fotográficas.


A partir do Canal de Beagle, foto de uma montanha com cerca de 900 metros de altura, 48 km a leste de Ushuaia.


Vista do Valle Mayor, uns 15 km a nordeste de Ushuaia. Na Terra do Fogo, a Cordilheira dos Andes é mais baixa e corre de oeste para leste. As montanhas ao norte do vale têm entre 900 e 1100 metros de altura.


Outra vista do Valle Mayor. No inverno, essa área de campo fica coberta de neve. É a época em cães huskies puxam trenós e se pratica esqui cross-country.


Às margens da Ruta 3, a caminho da cidade de Río Grande, tem-se essa vista do Lago Escondido e, mais ao fundo do Lago Fagnano.


Essa é uma vista que se tem do aeroporto de Ushuaia: o Canal de Beagle, montanhas com neve e nuvens. Porém, a foto não revela uma presença forte e impossível de ser ignorada: o gelado e forte vento de Ushuaia.

Em breve, farei nova postagem neste blog com fotos de El Calafate e da Geleira Perito Moreno. Até a próxima.

7 de fevereiro de 2010

Ushuaia: um olhar sobre o fim do mundo (1)

O famoso farol do fim do mundo
O fim do mundo é um conceito arbitrário. Tendo a Terra um formato esférico, onde ela começa e onde ela termina? Em qualquer lugar que nós estabelecermos. Quem ganha o título de fim de mundo já há bastante tempo é Ushuaia, cidade argentina situada no paralelo 54° sul, no extremo sul do continente americano, na Ilha da Terra do Fogo. A imagem acima mostra o farol que deu título a uma das obras de Jules Verne: O Farol do Fim do Mundo. Ao fundo, vê-se a cidade de Ushuaia, às margens do Canal de Beagle e à beira de uma cordilheira de montanhas que permanecem com neve em pleno verão.
No hemisfério norte, o paralelo 54 cruza o Canadá, o norte da Inglaterra, atravessa a Dinamarca, passa ao sul de Moscou e encontra, milhares de quilômetros mais a oeste, o sul das Ilhas Aleutas, que pertencem ao Alaska. Ushuaia, no paralelo 54 sul, é a porta de entrada para o Polo Sul. No seu porto, ancoram navios com destino à Antártida, que está relativamente perto, a menos de 1000 quilômetros.
A cidade tem cerca de 70 mil habitantes que se dedicam à indústria eletrônica ou à atividade turística. Caminhando pelas ruas de Ushuaia, ouvem-se várias línguas: inglês, francês, alemão, holandês, japonês, espanhol, etc. É uma cidade que recebe gente do mundo todo. Como tentarei mostrar através de fotos nesta e numa segunda e próxima postagem, há muitas razões para Ushuaia ser um destino turístico internacional.

Ushuaia às 22h30min do dia 21 de janeiro. Essa é a claridade que se vê entre meia-noite e uma da madrugada no final de dezembro, nos anos em que a Argentina adota o horário de verão. No verão, não há sol da meia-noite, mas claridade da meia-noite.


Vista do Parque Centenário, a oeste do centro de Ushuaia


No verão, a cidade se enche de flores. Nas fotos acima, um jardim que fica nos fundos da sede do governo provincial da Terra do Fogo. Há enormes tulipas e também multicoloridos lupinos.


Barcos ancorados na Baía de Ushuaia, no Canal de Beagle. Ao fundo, as montanhas com neve em pleno verão não deixam dúvidas sobre o clima frio da cidade.


A cidade de Ushuaia vista desde o mar, na baía de Ushuaia.


Nas fotos acima, as ruas do centro de Ushuaia.


Vista do aeroporto, a cidade de Ushuaia, à frente da cadeia de montanhas localizada ao norte da cidade.

Na próxima postagem, mostrarei imagens dos arredores de Ushuaia, uma região em que a natureza, quase intocada, revela uma beleza selvagem e solitária.

5 de fevereiro de 2010

Canyon Fortaleza

Canyon Fortaleza, em Cambará do Sul
Em 2 de janeiro deste ano, tive oportunidade de conhecer dois belos canyons localizados na cidade gaúcha de Cambará do Sul: Fortaleza e Itaimbezinho. O segundo é o mais famoso e fotografado. Tem mais fácil acesso e conta com uma boa infraestrutura. O Fortaleza é mais selvagem e, por isso, mais belo. Chegar até ele não é fácil. A estrada é muito ruim e eu não encorajo ninguém a ir com seu próprio carro, a não ser que seja um 4x4. Porém, o que os olhos podem ver quando se chega próximo aos verdes paredões do Fortaleza faz esquecer qualquer desconforto da viagem. Os campos de cima da serra, com cerca de 1000 metros de altitude, de repente se abrem em desfiladeiros que se perdem de vista.
Bem, este blog é mais visual do que textual. Deixo com vocês algumas imagens colhidas lá e o estímulo para conhecerem uma das maravilhas naturais do Rio Grande do Sul.

Verde, branco e azul
Vista dos paredões
Uma nuvem toca a montanha
Um riacho perto do canyon
Nuvens acima dos desfiladeiros
Lá embaixo, um riacho...
O riacho aproximado pelo zoom da máquina
Em breve, farei novas postagens, uma sobre Ushuaia e outra sobre El Calafate e a geleira Perito Moreno.